Crônicas de um matrimônio italiano – comprando as roupas

Continuando nossas crônicas de um matrimônio italiano, tão logo soubemos que o traje seria tight, combinei com o sposo (noivo) para acompanhá-lo em uma das provas que ele faria com a sua roupa, assim eu poderia ter uma ideia do que esperar.

Imaginem vocês que não coloco um terno há pelo menos dez anos e felizmente passei outros dez utilizando-o, portanto não seria nenhuma novidade – já sabia o que deveria arrrumar, assim como sabia que a camisa sobraria nos ombros e faltaria pano na altura da barriga kkkkkkkkk

EXPERIMENTANDO A ROUPA COM O NOIVO

Finalmente chegou o dia e lá fomos nós – eu, o noivo e sua mãe (calma que eu já explico!) em uma loja super chique, onde tanto ele quanto a noiva tinham comprado as suas roupas.

Chegando lá, encontramos a noiva e o seu pai, que assim como eu, também tinha percebido que o bendito casamento estava chegando ((( faltavam exatos 30 dias e nem eu, nem o pai tínhamos ainda comprado nossas roupas rsrsrs ))).

Detalhe da loja: composta de dois andares e duas entradas separadas – o andar inferior apenas com roupas masculinas e no andar superior, somente com roupas femininas, incluindo os belíssimos vestidos de noiva.

Comentário do noivo quando perguntei o que havia no andar superior: – Ali estão os vestidos de noiva e demais baludaques. Você acredita que todo o salão lá em cima é coberto de espelhos? Enquanto aqui embaixo, nós pobres desgramados temos que nos contorcer para ver se a barra da calça ficou boa.

Chorei de rir com o comentário, enquanto aguardávamos que todos fossem embora. Sim, pois da mesma forma que o noivo não sabia como era o vestido da noiva, também fez questão que ninguém mais – além de mim – soubesse como ele se vestiria!!!

E eis que o alfaiate traz o seu vestito (nome genérico para qualquer tipo de roupa) e lá vai ele se trocar. De repente sai todo desengonçado, com os sapatos desamarrados, camisa caída, sem cinto – ou seja, todo mequefrento!!!

O alfaiate lhe tasca uma bronca: – Cáspita Alessio, se vê que você nunca usou roupa social na sua vida, né? Ele ainda teve a pachorra de responder: – Eita, como é que você sabe disso?

Gente, eu chorava de dar risada! O cara subia a calça dele pra cima, para fazer a barra; ele descia porque incomodava. O cara mandava ele ficar reto, para ver o comprimento da camisa, ele se curvava para ver no espelho como estava.

E a mãe dele puta da vida (imaginem uma mamma italiana berrrando):

Porca miséééééééria Alessio, mas será o benedito? Pára de me fazer passar vergonha, até parece que saiu do meio do mato e não sabe se comportar!!!

Já com dor de barriga de tanto rir, finalmente terminou de tirar as últimas medidas e foi a minha vez de perguntar ao cara como é que eu deveria me vestir. Para minha alegria, sugeriu que somente o noivo vestisse tight (ou seja, bundinha de pinguim) e que eu escolhesse um terno da mesma cor – no nosso caso azul – e para diferenciar um pouco, não usar gilet (colete):

credito: http://www.corbaraweb.com

Como meu querido amigo acabou demorando HORAS para escolher os detalhes, a loja já estava pra fechar, então decidi que no dia seguinte eu daria uma olhada nas lojas aqui em Pisa e qualquer coisa o avisava. Minha ideia principal, na verdade, era fugir da mamma, pois sabia que ia encrencar com minhas escolhas rsrsrsrs

Ahhh, o alfaiate então marcou uma última prova para o dia 10 de setembro, já esperando que tudo estivesse pronto – caso ainda houvesse a necessidade de ajustar qualquer medida, teríamos outros dez dias sobrando. Felizmente não foi necessário, o terno dele já está em casa…

O PAPEL DOS PAIS NO CASAMENTO ITALIANO

Da mesma forma que tradicionalmente o pai da noiva paga o seu vestido (e também a festa, mas assunto para outro post), a mãe do noivo paga a roupa dele! Até perguntei se foi uma escolha pessoal deles ou se a tradição italiana que manda, e me responderam que é uma questão sim de tradição.

Por isso a mãe dele estava lá, quase que escolhendo tudo por ele – felizmente eu estava ali para ajudar meu amiguinho rs – pois como ela que estava pagando tudo achava que também deveria escolher tudo por ele!

No caso da noiva, a Luciana esteve com ela e seus pais no dia da escolha do vestido, e quando entraram na loja o vendedor utilizou a seguinte conversa para poder saber como ajudar:

– Qual o budget de vocês?

E diante da resposta do pai dela (que no caso foi “não existe um budget, ela vai escolher o vestido que achar bonito“) a vendedora mostrou as opções.

Caso alguém tenha curiosidade em saber, um vestido de valor médio aqui na Italia custa em torno de 1500 euros

COMPRANDO AS NOSSAS ROUPAS

No dia seguinte, eu e a Lu fomos até uma cidade próxima, pois ela tinha visto na internet que existia uma loja especialista em roupas e trajes de casamento. Só que fomos meio ressabiados, pois as fotos domaite não eram lá muito convidativas…

Chegando lá, entramos e logo veio o proprietário nos perguntar o que desejávamos, explicamos e então veio a pergunta:

– Ok, e qual é o budget de vocês?

– Não tenho a menor ideia, pois não conheço os valores italianos, respondi.

Ele então trouxe um paletó cheio de frufrus, e pediu para experimentar. Ficou ótimo em relação ao tamanho, porém era algo que eu utilizaria somente neste casamento e nunca mais! Valor do paletó (somente dele!): 480 euros.

Pedi algo mais “utilizável” – ou seja, que fosse elegante para me distinguir dos demais convidados, afinal de contas sou o padrinho, mas ao mesmo tempo que fosse possível utiliza-lo posteriormente. Ele então trouxe um terno que foi amor a primeira vista! Perguntou também se eu precisaria de algo mais. Respondi que só não precisaria da cueca, mas sim de todo resto 😉

Por fim, sai da loja com:

  • 1 camisa branca (como sou gordo queria preta, mas o noivo exigiu branca rs)
  • 1 cinto
  • 1 sapato
  • 1 par de meias
  • 1 gravata
  • 1 lenço de seda com o brilhante que o segura no bolso
  • O terno propriamente dito!

Vejam como ficou a combinação:

fabio terno

Como prometido, vamos aos valores individuais de cada peça:

  • Camisa = 42,00 euros
  • Cinto = 39,00 euros
  • Sapato = 119,00
  • Par de meias = 11,00
  • Gravata = 26,00
  • Lenço de seda com brilhante = 15,00 euros
  • Terno = 239,00

Total das compras = 491,00 euros (a este valor paguei posteriormente outros 20 euros pelo trabalho da costureira)

fabio saga

O VESTIDO DA LUCIANA

Perambulando pela loja enquanto eu experimentava minhas roupas, a Luciana achou um vestido maravilhoso e veio pedir a minha opinião. Meus amigos, uma imagem vale mais do que mil palavras:

luciana

E vejam que sem querer, acabamos combinando as roupas – ambas com o mesmo tom de azul. Eita padrinhos danados de lindos rsrsrs

NO PRÓXIMO ARTIGO…

No próximo artigo da nossa série contarei a vocês sobre o ritual que acontecerá na igreja (descobrimos ontem que o padre viveu em SOROCABA, cidade natal da Lu rsrs), incluindo a ideia da noiva em me fazer entrar com as alianças em cima de uma almofada 😮

 Vocês não perdem por esperar 😉

  • Felipe Lorenzzi

    Então o padre viveu aqui em Sorocaba?! (muita chuva hoje aqui aliás rsrs)… isso que é coincidência…
    Ficaram “na pinta” os padrinhos hein?! Salgado o precinho dos trajes… mas os bons amigos merecem a devida consideração especial… Felicidades aos noivos… e…
    Por falar em matrimônio, essa semana surgiu uma dúvida sobre documentos, não sei se você já se deparou com alguma situação assim. Vendo um de seus vídeos, aprendi que o matrimônio civil legitima o filho do italiano. Ok. Porém minha mãe nasceu 06 meses antes do matrimônio dos pais dela. Então corri no cartório pedir a Inteiro Teor para verificar se o termo “Filha Legítima do declarante” ali constaria, na maior apreensão do mundo… pois o documento chegou… (aliás saiu na hora, 30 minutos por uma Inteiro Teor, vale ressaltar o bom serviço prestado pelo 35° Cartorio da Barra Funda) e bingo… filha legítima do declarante… até ai tranquilo… PORÉM.. (sempre tem um porém rs) na linha seguinte veio a besteira!! e ai que mora a dúvida… a minha mãe foi declarada como filha legítima dele e da minha vó… só que minha vó já aparece com o sobrenome do meu Avô de casado e pior… na certidão consta “que se casaram em tal cidade”…. naquele momento eles não eram casados!!! e digo mais … 04 meses depois desse registro eles efetivamente se casaram, porem pra ajudar em uma outra cidade que não a mesma citada nessa “mentira” de que já eram casados… e agora o que fazer? Com certeza isso será um detalhe observado por um oficial italiano… no minimo ele vai estranhar constar no nascimento da minha mae que os pais dela já eram casados e aparecer um documento de matrimonio, cronologicamente posterior (em 04 meses) confirmando o casamento porem em um outra cidade… isso poderá levantar dúvidas e se o cara estiver de mal humor ou com ma vontade vai resultar em problema… o que você pensa disso Fábio, com a sua experiencia, acha que isso será mesmo um problema grave? o que deve ser feito? Estou preocupado daqui… bom.. obrigado pela atenção… espero que consiga me dar uma luz… e parabéns pelo site.. já aprendi muito aqui e repassei a alguns familiares… Até