Referendum delle Trivelle

No próximo dia 17 de abril, todos os cidadãos italianos (incluindo aqueles que vivem no exterior) poderão participar do referendo popular conhecido como “Referendum delle Trivelle”.

Para começar a explicar o que significa este referendum e como votar, é preciso primeiro entender o que são estas tais “trivelle”, vejamos a imagem abaixo:

trivelle

A palavra italiana trivella (trivelle é o plural) significa broca.

E não pude deixar de dar um pequeno sorriso ao perceber que provavelmente esta palavra deu origem ao que conhecemos no futebol como “chute de trivela” conhecido também como chute de rosca.

Muito bem, voltando ao assunto do artigo: o referendum delle trivelle (referendo das brocas) refere-se aos poços petrolíferos italianos, e vamos entender melhor do que se trata.

O REFERENDO

Basicamente o povo italiano está sendo chamado às urnas para decidir se quer que seja proibido extrair gás e petróleo próximo à costa italiana.

Atualmente a lei já proíbe a instalação ou abertura de novos poços, porém o referendum foi criado com o objetivo de fazer cessar de vez a extração das concessões já existentes (cerca de 100).

CENÁRIOS ENTRE O “SIM” E O “NÃO”

Se o (sim) ganhar, quando as licenças atuais expirarem, as empresas serão obrigadas a cessar toda e qualquer atividade de extração de petróleo ao longo da costa.

Já se o povo escolher NO (não), as empresas poderão continuar com a extração até que não exista mais nada a ser retirado do local onde se encontram os poços.

INFORMAÇÃO IMPORTANTE

Uma informação que eu praticamente não vi sendo discutida em nenhum lugar, pelo contrário, tem muita gente fazendo uma certa confusão: o referendo não é contra a atividade petroleira e tampouco visa eliminar tal atividade.

Ela se refere a extração do gás e petróleo a menos de 12 milhas da costa (cerca de 20 quilômetros).

ARGUMENTOS A FAVOR DO “SÌ”

Quem defende o voto SÌ (sim, queremos que a extração perto da costa termine!) diz que a extração próxima da costa é perigosa, pois qualquer derramamento ou vazamento causaria problemas ambientais seríssimos

ARGUMENTOS A FAVOR DO “NO”

O pessoal que apóia a manutenção dos atuais poços diz que eles são extremamente seguros e que estão constantemente passando por vistorias e análises.

VALE A PENA VOTAR? É OBRIGATÓRIO?

O voto aqui na Italia não é obrigatório. Porém é um dos recursos mais importantes que temos e acredito que não é apenas um direito, mas sim um dever que cada cidadão italiano tem com o seu país.

Independente da escolha, temos que nos manifestar, para ajudar o país em que vivemos e/ou que fazemos parte!

O MEU VOTO

Eu votarei NO no referendum do dia 17 de abril (quem vive aqui na Italia votará neste dia, quem vota no exterior explicarei abaixo) por um motivo muito simples: as plataformas criam riqueza e geram emprego.

Confesso que não estava muito empolgado com esta votação – que aliás, tenho certeza que é uma grande perda de tempo e dinheiro, já que estima-se que serão gastos cerca de 400 milhões de euro com ela.

Porém ao estudar todas as matérias até para poder esmiuçar tudo para vocês, percebi que os argumentos em favor do desmantelamento das atuais estruturas não são tão fortes assim em relação aos argumentos de quem acredita que eles devem continuar.

COMO VOTAR NO EXTERIOR

Todos os cidadãos italianos inscritos no AIRE já receberam pelos correios o material de votação.

Se você está inscrito no AIRE e não recebeu nada, entre em contato com o consulado italiano da sua jurisdição.

 O material é composto de 5 partes:

  • 1 Certificato Elettorale
  • 1 Scheda Elettorale
  • 2 Buste (1 piccola bianca e 1 affrancata)
  • 1 Foglio Informativo

Traduzindo:

  • 1 Certificado Eleitoral
  • 1 Cédula Eleitoral
  • 2 Envelopes (1 pequeno branco e 1 já selado)
  • 1 Folha Informativa

VOTANDO

A primeira coisa que você deve fazer é pegar uma caneta azul ou preta (qualquer outra cor seu voto será anulado!).

Com ela em mãos, abra a cédula de votação:

referendum

Nele você deve marcar um grande X na opção desejada, utilizando a caneta preta ou azul.

Após votar, dobre-a novamente e a coloque dentro do envelope pequeno branco. Lacre o envelope!

Agora pegue a folha onde está escrito na parte superior CERTIFICATO ELETTORALE.

Você encontrará uma linha pontilhada na parte inferior dela, que começa e termina com uma tesourinha:

tagliando elettorale

Com uma régua corte exatamente na linha pontilhada.

Agora você deverá inserir dentro do envelope maior o TAGLIANDO ELETTORALE (que é esta parte que você acabou de destacar do certificato) juntamente com o envelope branco já fechado.

Este envelope já selado deverá ser enviado pelos correios e deverá chegar ao consulado no máximo às 16:00 horas do dia 14 de abril de 2016.

Todos os envelopes após este prazo serão destruído e portanto não serão contabilizados.

Vamos ver estas instruções de forma gráfica, retiradas do site do consulado italiano em SP e na ordem que eu citei:

Screenshot 2016-04-01 17.49.51
Itens que você recebeu para votar
Screenshot 2016-04-01 17.49.58
Caneta preta ou azul
Screenshot 2016-04-01 17.50.03
Após marcar o X, colocar a cédula dentro do envelope branco
Screenshot 2016-04-01 17.50.11
Inserir o envelope branco + o tagliando no envelope maior, já selado
Screenshot 2016-04-01 17.50.17
Enviar ao consulado italiano pelos correios

CONCLUSÃO

referendum

Muito bem queridos leitores, espero ter mais uma vez ajudado-os a esclarecer algo sobre nossa bela Italia, e qualquer dúvida ou sugestão sobre este tema, deixe o seu comentário.

A propósito: qual a opinião de vocês sobre isso?

Você vai votar SÍ ou NO?

Deixe abaixo seu comentário e compartilhe comigo 😉

21 Comentários


  1. Ola Fabio!!!! Tudo bem? Queria te dar uma sugestão de assunto…. hehehhehe… me permite?
    Recebi esta semana uma correspondencia semelhante a esta deste artigo para votar no referendum constitucionale de 4/12/16. Confesso q nao sei bem o q fazer… ainda estou buscando informações sobre o tema (nao sei nem se tenho obrigação de votar …) Que você acha de dar umas dicas sobre este assunto por aqui?
    Bom, obrigada de qqr forma e um abrazo.
    Renata.

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  2. Essa semana aqui no sul do Brasil, em uma praia chamada Imbé houve um vazamento de petróleo no mar por uma plataforma de reabastecimento próximo 10 Km do litoral. Adivinhem no que virou a praia. Será que isso que a Itália quer para suas praias?

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  3. Fabio valeu pelas explicaçoes de votaçao, votei NO !! grazie

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  4. Recebi em nome do meu filho na cidade de Santos, SP, porém ele está na Austrália no momento e não poderá enviar a tempo ainda que faça o download. Terá algum problema? Ou deverá tomar alguma providência? Obrigada.

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  5. Salve, Fabio! Eu voto SI. Explico: as plataformas próximas à costa poderão continuar a explorar os recursos naturais até a data prevista. A mais próxima perde a licença em 2026, e isso representa ainda dez anos de exploração. Ou seja, ainda há muito metano e petróleo a ser retirado. Já passou da hora de os países investirem melhor em recursos energéticos alternativos, e a Itália está andando bem neste quesito. Dez anos é tempo mais do que suficiente para que o país faça a transição.

    Além disso, notem que as plataformas aposentadas serão as próximas à costa, e são apenas 35!

    As outras – mais de cem! – continuam a funcionar, extraindo metano e petróleo sem limite de prazo. O quesito “emprego de 40 mil pessoas” é o único que me mobilizaria a votar no “não”, mas sustento o seguinte: essas 40 mil pessoas terão dez anos para se manejar na direção de outras atividades, ou mesmo para as outras cem plataformas do mar mais profundo. Duvido que vão ficar desempregadas. Além disso, muitos novos empregos serão criados na medida em que o foco mudar para energias renováveis.

    Há outro lance que me faz escolher o “SIM”: as atividades de pesca das pequenas comunidades são perturbadas pelas atividades destas plataformas tão próximas à costa.

    Há também o efeito político do “SIM”: o cidadão está dizendo às empresas que elas têm limites a respeitar.

    Além disso, há o problema – nada improvável, já vimos essas histórias – do alto risco de desastres de petróleo, gás e óleo tão próximos à costa. Um pequeno acidente pode detonar a biodiversidade. Além do que, já passou da hora de investirmos em fontes energéticas renováveis e diminuirmos o uso de combustíveis fósseis.

    O “SIM” não impede a exploração petrolífera. Como eu disse, cem plataformas continuarão a funcionar. Estamos dando limite a apenas trinta e cinco. Trinta e cinco plataformas cuja excessiva proximidade pode arruinar a costa sarda, calabresa, pugliesa, veneta e tantas outras. E sim, isso já aconteceu antes! No dia 29 de setembro de 1965, um acidente na plataforma Agip na costa de Ravenna fez o mar ficar em chamas por três meses. O desastre só não foi pior porque debaixo da terra só havia gás, e não petróleo.

    Obrigado pelo espaço e continue seu ótimo trabalho!

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    1. Boa tarde, Fábio. Voto SI. Entendo a preocupação com a manutenção de empregos e a geração de riqueza, mas entendo que o risco ambiental não as justifica. Compartilho muitos dos motivos expostos pelo colega acima, e adiciono uma referência histórica recente: o incidente catástrófico envolvendo a petrolífera BP no Golfo do México em 2010. Além do dano ao meio ambiente, muitos trabalhadores perderam seus empregos, seja diretamente, nas plataformas marítimas e atividades relacionadas à extração, seja indiretamente, nas atividades afetadas pelo vazamento (pesca, turismo). Mesmo as indenizações bilionárias negociadas junto ao governo dos EUA não terão sido suficientes para mitigar todo o estrago. Saluti!

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  6. Boa Tarde Fabio

    GOSTEI MUITO DO SEU BLOG,RECEBI PELOS CORREIOS O MATERIAL DE VOTAÇÃO E O MEU VOTO VAI SER (NO) A SUA EXPLICAÇÃO ME ESCLARECEU MUITO.
    AGRADEÇO E PARABÉNS PELO SEU BLOG A SUA HISTORIA DE VIDA É MUITO LEGAL,SOU XARÁ DO SEU TRISNONNO GIORDANO.
    ABRAÇOS,GIORDANO AUGUSTO PAOLIINI
    SÃO PAULO BRASIL

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  7. Meu voto é NO….Vamos aproveitar os recursos naturais de forma sustentável para a prosperidade e posterioridade.

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  8. Voto SI. Quando falamos de sondas de perfuração offshore, ninguém pode descartar um acidente. E em um mar fechado como o Mediterrâneo, um derramamento de petróleo causaria danos graves e irreversíveis.

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  9. Ótimo artigo! Só acho, Fabio, que talvez vc não tenha dado o devido destaque ao fato de que a abertura de novos poços JÁ está proibida, e que o referendo é só sobre os povos já abertos e em produção.

    Dizer SIM nesse referendo é obrigar as empresas que já investiram para descobrir e abrir poços a largar o serviço no meio e tampar poços já em produção, deixando o resto do petróleo ou gás lá abandonado para sempre

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  10. Prezado Fabio, bom dia! Lhe agradeço pela postagem e pelas instruções de forma clara, objetiva e gratuita. Eu e minha família recebemos também os documentos para participarmos do Referendum e estávamos com muitas dúvidas. Depois da leitura da sua publicação ficou tudo muito mais claro e entendido. Mais uma vez obrigada e parabéns pelo excelente trabalho!

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  11. Querido, Obrigada!
    Nosso voto já foi postado para o Consulado agora pela manhã.
    Assim que recebi na 6ª feira comecei a pesquisar sobre o tema e escolhemos o NO pelas razões que você explicou no post acima.
    Beijocas a ambos.
    Bete

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  12. Bom dia Fábio, o que aconteçe com quem acabou de ter a cidadania reconhecida ? fiz o AIRE aqui no Paraná mas eles demoram até 60 dias para efetivar o AIRE ( o que ainda não ocorreu ) e meu endereço na Itália provavelmente já foi cancelado pela pessoa que me acolheu lá .Como faço? Obrigado .

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    1. Olá Roberto se a inscrição no AIRE ainda não foi realizada com sucesso infelizmente não é possível votar, pois somente após a conclusão positiva do cadastro permite isso. Abraços

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  13. Obrigado pelo ótimo e esclarecedor artigo Fábio! No email lhe coloquei a preocupação da minha família com relação ao tema; já enviei o link do artigo para eles e ficaram muito agradecidos…. Penso que agora, os que ainda não tinham se cadastrado na minha saga, farão! Hehehe. Grande abraço e obrigado mais uma vez! Thayrone Tonello.

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