Imigração em Milano

Quase ia esquecendo de contar a vocês o perrengue que passei no aeroporto de Malpensa, quando cheguei em Milano.

Como contei  no outro post, a imigração é feita no primeiro paás em que você chega, por isso a minha foi feita em Madrid. De lá peguei outro avião com destino a Milano Malpensa, onde não teria mais nenhum tipo de controle, pois o meu passaporte já tinha sido carimbado na entrada da Europa

Mas é claro que como sou o Saga, tudo acontece comigo…

Desembarquei em Milano feliz da vida, passei pelas esteiras e cai na besteira de perguntar a um policial no aeroporto onde era o guichê para comprar o ticket do ônibus para a Stazione Centrale de Milano.

Meus amigos, não deu nem tempo de terminar a frase, o cara já foi perguntado de onde eu era.

Quando respondi que era do Brasil ele me pediu pra acompanha-lo NA HORA para uma salinha dentro do aeroporto.

Nem preciso dizer que aquele lugar que vocês estão pensando travou de tal maneira que não passava uma agulha! Dentro da sala, ele pediu que eu tirasse TODAS as coisas da minha mochila. Vocês não tem ideia do tamanho da minha mochila, mas fui tirando.

O pior é que eu demorei tanto para arrumar as coisas lá dentro: dobrei as camisas, as cuecas, as calças e e repente lá estava eu tirando tudo pra fora de qualquer jeito, que raiva!!!

Quando já tinha meio que destravado o dito CUjo, o policial encontrou o envelope que eu tinha levado comigo, onde estavam todas as cópias das certidóes para a prática da cidadania e me perguntou o que tinha ali dentro.

Dai povo, eu devo confessar que todos os meus olhos travaram LITERALMENTE naquele momento!!!

Explico: Como eu não sei onde vou fazer meu processo de cidadania, eu pesquisei várias cidades onde li relatos que são interessantes e separei estas informações pelo nome da cidade – imprimi várias folhas com o endereço do comune, da questura, posta, entre outros e juntei-as com um clipes.

Então falei pro policial que eu estava viajando a turismo e aquelas eram as cidades que eu pretendia conhecer, pois como eu já tinha lido anteriormente no Orkut que não poderia dizer jamais que eu estava vindo à Italia fazer o reconhecimento da minha cidadania, pois eles eram racistas e não me deixariam entrar!

Só que o bucéfalo aqui trouxe outro envelope com a cópia de todos os meus documentos relativos ao processo de cidadania e escreveu no envelope em italiano e em letras garrafais: DOCS – CITTADINANZA.

E eis que o policial pega este envelope e pergunta: – E isso, do que se trata???

Eu, todo sem jeito: – Então, veja bem, sabecumé, to aqui passeando, e também tenho direito à cidadania, queeeem sabe, sem querer, eu consiga fazer o reconhecimento dela, não é seu policial? Mas não se preocupe, que este não é o motivo da viagem, não senhor, to aqui de turismo: TU-RIS-MO.

Eu já esperando o pior, naquele momento ele pegou meu passaporte novamente na mão e leu meu sobrenome

– Hummmmm, cognome italiano!!! Veio tirar seu passaporte italiano.

Quando eu estava prestes a chorar ele me diz:

– E PORQUE VOCÊ NÃO ME DISSE ISSO LOGO, MEU FILHO?

Me pediu desculpas pelo inconveniente e explicou que nos últimos dias estão chegando muitos brasileiros com drogas (ah vá!) e que existe um alerta geral nos aeroportos italianos para aumentar o controle.

E a surpresa final: antes de me liberar, perguntou se eu tinha feito algum curso de italiano, pois eu conseguia me comunicar muito bem.

Ai foi que eu destravei tudo, agradeci a cortesia e quase, mas quase mesmo dei um beijo no bigode dele!!!

Sem contar os palavrões e xingamentos que mandei a todos os cretinos “formadores de opinião” das redes sociais que não sabem CA%&O nenhum do que falam e dão dicas estúpidas e sem qualquer fundamento.

O pior é que a maioria destas pessoas sequer pisou na Italia, e mesmo assim, nós pobres incautos que acabamos de chegar no mundo da cidadania acreditamos piamente nestas pessoas. Isso que aconteceu comigo foi simples, mas e quantas pessoas acabam sendo prejudicadas aqui na Italia por causa de informações erradas que são postadas em redes sociais??

Pois é, pelo menos eu escapei vivo dessa rsrsrs