Meu processo – Reinício, meio e… rumo ao fim

Ciao amigos

Como “zeramos” o cronômetro da minha saga, vou começar a postar tudo que estiver acontecendo no meu processo, da mesma forma que eu fazia antigamente…

Como vocês leram no post anterior eu cheguei aqui na Toscana no dia 30 de outubro. Entrei na casa do italiano neste dia e comecei a “preparar o terreno”…

Expliquei a ele como funcionava o processo de cidadania, mostrei meus documentos, pedi a ele se poderia me apossar da caixa de correio dele, pois deveríamos ir no vigile e após fazer o pedido da residência deveria ter meu nome na caixa de correio. Ele disse que sem problemas, eu poderia sim…

No dia seguinte, 31 de outubro eu preenchi a Cessione di Fabbricato, que é o documento que toda pessoa que ira “hospedar” alguém por mais de 30 dias é obrigado a comunicar a entrada deste “hospede” em 48 horas.

Pedi os dados dele, fiz a carta segundo o modelo do comune – que descarreguei da internet – pedi a ele que assinasse e me desse uma fotocopia da sua carteira de identidade.

Fui no vigile no mesmo dia mas já estava fechado. Então no dia seguinte, fui novamente e entreguei a Cessione em duas vias. Ele carimbou e me deu uma delas!

Naquela semana não fiz mais nada referente ao meu processo pois tive que viajar a Padova pra buscar alguns documentos, e passar um pouco de raiva, porque um parroco não quis me dar uma Certidão porque estava assistindo Shrek e disse que estava muito ocupado….

Acho que cometi todos os pecados da igreja, pois xinguei ate a 4 geração da família dele rsrsrsrsrs Nada que uns 3500 “Pai-nosso” e umas 7000 “ave-Maria” não resolva rsrsrsrsrs

Na segunda-feira, dia 5 fui no comune pra fazer o pedido da minha residência. Cheguei la as 10 fui no setor anagrafe e disse que gostaria de fazer minha inscrição anagràfica. A oficial me pediu:

[checklist]

  • – Passaporte
  • – Permesso di Soggiorno
  • – Copia do contrato de aluguel ou Fabbricato
[/checklist]

Bom, como este meu amigo italiano tem a residência em outro comune, a oficial não sabia como proceder no meu caso, pois ele tinha um contrato de aluguel aqui na cidade, mas não é residente aqui, apenas habitante, no caso…

Foi um cassino, liga daqui, liga dali e de repente “baixa o Saga” em mim (como dizia uma amiga minha) e eu solto:

– não podemos fazer assim: se ele não tem residência, ele não existe anagraficamente aqui certo? Sendo assim me coloque como capofamiglia do imóvel e basta!

A oficial olhou pra ele que olhou pra ela que respondeu: é, assim resolvemos o problema – porém os impostos começarão a vir no seu nome, etc. Eu respondi: sem problemas, ele que vai pagar mesmo kkkkkkkkkkk

Dai continuamos o procedimento normalmente, começou a preencher um papel e disse que pra todos os efeitos eu estava vindo do exterior e não de Marche, por que (graças a Deus agora rsrsr) eu não tinha residência a ser transferida e então seria minha primeira residência na Italia.

Ate aqui sem problemas, apresentei o passaporte, ela me perguntou se eu tinha códice fiscale eu disse que sim, inclusive o modelo novo emitido recentemente pela Agenzia delle Entrate (depois posto a foto dele procês) e me pediu o permesso di soggiorno

Quando eu mostrei a ricevuta foi muito engraçado:

  • Ela: – Ahhh não serve a ricevuta, só o permesso!
  • Eu: Ahhh serve sim, sem problemas
  • Ela: não, eu só posso aceitar o permesso, o cartãozinho….
  • Eu: Dài, esta ricevuta é do permesso di attesa, que conforme a circular 32 pode ser feita a inscrição anagràfica somente com ele.
  • Ela: Bo, espere um instante que vou verificar.
  • Eu: Ta, mas pega aqui a copia da circolare
  • Ela: Ok, aspetta!!!!

Depois de 5 minutos ela volta toda saltitante dizendo que não tinha problema nenhum mesmo não, que poderia fazer com a ricevuta….

Uma coisa ma-ra-vi-lho-sa é que aqui no comune o pedido é feito diretamente no computador, depois imprime-se uma folha que é gigante já com o pedido da residência.

Ela então me deu o recibo e disse que agora era só esperar o vigile fazer a confirmação da mesma. Eu perguntei a ela se demorava pois eu trabalho e não poderia ficar em casa.

Ela então ligou pro vigile mas infelizmente já havia fechado o oficio, mas disse pra que eu fosse la no dia seguinte e explicasse a situação.

No dia seguinte, 6 de novembro todo serelepe fui no vigile pra dizer oi, porque como diria o filósofo: “Quem não é visto, não é lembrado” rsrsrsrsrs

Falei pra ele que tinha estado no comune e já feito minha inscrição anagráfica, mas se havia alguma forma de deixar os horários que estou em casa porque eu trabalho e não é todo tempo que estou la. E como vivo num prédio, no 3º andar (muito chique por sinal rsrsrs) ele correria o risco de não me encontrar por la.

Ele disse que não dava pra “marcar um dia” pra fazer a residência.

Ok, entendo – respondi. Mas no meu caso como poderíamos fazer?

Ele perguntou se eu trabalhava aos finais de semana. Eu disse que no sábado sim, mas domingo não.

– Ok, então domingo eu passo lá!

Quase que perguntei: O que aconteceu com “não podemos marcar um dia”? kkkkkkkkkkkkkkk

No dia 10, sábado passado, fui no comune conversar com o Stato Civile pra saber como poderíamos proceder. Ele me pediu pra ver os documentos. Mostrei a ele os meus documentos a saber:

[checklist]

  1. Certificato di battesimo do meu trisnonno emitido pelo padre em Padova.
  2. Certidão de casamento dele – traduzida e legalizada
  3. Certidão de óbito dele – traduzida e legalizada
  4. Certidão de nascimento do meu bisnonno – traduzida e legalizada
  5. Declaração feita por mim declarando que na lista não consta o certificado de matrimonio do meu bisnonno porque ele não era casado mas na certidão do filho consta como declarante o pai (declaração me passada pelo meu anjo da guarda Martha)
  6. Certidão de nascimento do meu nonno – traduzida e legalizada
  7. Certidão de casamento do meu nonno – traduzida e legalizada
  8. Certidão de nascimento do meu pai – traduzida e legalizada
  9. Minha certidão de nascimento – traduzida e legalizada
  10. Minha certidão de casamento – traduzida e legalizada
  11. CNN – Certidão Negativa de Naturalização – traduzida e legalizada
[/checklist]

Ele pegou os documentos, pegou um papel e começou a anotar:

Hummmm, dante causa italiano -> bisnonno -> nonno -> pai -> requerente

Ok, Fabio, tá tudo certinho. Mas me fala uma coisa: como eu faço aquele tal pedido que o povo não renunciou a cidadania???

Sim amigos, ele nunca fez nenhum processo de cidadania e está empolgadissimo com o meu rsrsrsrsrs

Eu expliquei a ele como funciona os consulados no Brasil, que cada um tem suas características, e que o de SP – no caso o meu – recebia o pedido dele por fax ou por email, e passei os dados pra ele da Rita, responsável Stato Civile do consulado de SP.

Expliquei a ele o que tinha acontecido no outro comune onde eu estava, que já tinha ate chegado minha non renuncia mas que fui sacaneado. Ele ficou inconformado. Olhem só o que ele disse:

– O problema Fabio, é que as pessoas não entendem que vocês já são italianos, basta o reconhecimento (neste momento eu quase tive um orgasmo – desculpem as menininhas mas este foi o termo mais leve que encontrei rsrsrsrs) da cidadania propriamente dita. E continuou: – Eu conheço a historia da Grande emigração italiana e sei o quanto nossos conacionais sofreram pra deixar suas terras e chegar num novo mundo. Sò que infelizmente nem todos conhecem ou fazem finta que não conhecem…

Eu simplesmente não estava acreditando naquilo que eu estava ouvindo. Lembro só ter perguntado a ele: – Sobre minhas filhas, como devo proceder pois não trouxe a Certidão de nascimento delas

Ele soltou outra: – Qual o problema? Elas são filhas de cidadão italiano. você que escolhe o que quer fazer. Se quiser trazer as certidões eu transcrevo junto com as suas. Senão você pode pedir os documentos de identidade e passaporte delas direto no consulado. Afinal elas são FILHAS DE UM cidadão ITALIANO o que significa QUE ELAS TAMBEM SAO ITALIANAS

Dai não foi um orgasmo. Foi um ORGAAAAAAAASMO MÚLTIPLO!!!!!!!!!!!!

Ele deve ter percebido que eu estava em estado de choque (ou de graça) pois tomou a palavra e disse que ia tirar fotocopias apenas das traduções só pra já ir agilizando a Transcrição dos atos enquanto não chega a non renuncia, que ele ia pedir naquele mesmo dia.

Eu falei sobre a residência, que ainda ia esperar a confirmação do vigile e ele perguntou onde era meu endereço. Eu disse Via do Saga, numero 12 e ele me disse: no prédio X? Eu respondi que sim, no 3º andar. Ele disse que conhecia o dono da casa, que não precisava esperar a residência não, que já ia pedir pra anagrafe confirmar no sistema. Disse que se o consulado responde em ate 20 dias, neste meio tempo já ira fazer a confirmação no sistema e que assim que chegar a tal non renuncia ele me liga pra eu ir assinar os documentos e buscar a carta di identità italiana…

Dai ficamos conversando sobre a historia da emigração italiana, das guerras dentro da Italia, ele me explicou que muitas cidades são muradas (como Lucca por ex) não por causa da 2ª Guerra mas por causa das guerras internas, entre os próprios italianos, no século passado e tal.

Nos despedidos, ele pediu o numero do meu celular e disse que assim que chegar a mancata non renuncia ele me liga pra ir ASSINAR minha cidadania.

Eu sai de la meio abobalhado (mais do que o normal rsrsrs) e obviamente fui na igreja da cidade dar uma choradinha básica e agradecer ao papai do céu, pois a cada dia, a cada momento da minha vida Ele se mostra presente, fazendo com que eu jamais esqueça dEle

“in bocca al lupo”