Parrucchieri – Cortando o cabelo

Dando continuidade ao final de semana verborràgico preciso contar a voces minha ida ao cabelereiro aqui na Italia. Antes que me perguntem: “- Nossa Fabio, quase dois anos de Italia e sò agora voce cortou o cabelo?” quero explicar que neste tempo eu mesmo cortava meu cabelo, pois tinha a maquina! Porém nao aguentava mais parecer recem-saido da Febem e resolvi criar vergonha na cara e ir no parrucchieri.

Cheguei la sabado passado, por volta das 18 horas e todas as cadeiras estavam cheias, além de um rapaz jà estar esperando sua vez. Entrei e um senhor super simpàtico acenou com a cabeça e perguntou se eu estava com pressa. Respondi que nao e sentei-me, aguardando minha vez

Dai eu comecei a observar como os cabelereiros aqui na Italia levam a sério a profissao. Eles fazem verdadeiras obras de arte no cabelo das pessoas, é impressionante!!! Logo na minha frente havia um senhor, semi-careca e o cabelereiro parecia ter incorporado Pablo Picasso, pois jogava os parcos fios que restaram de um lado pro outro, escova daqui, penteia dali, repica, escova novamente, pega o secador como se fosse um pincel màgico e voces nao acreditam no resultado: o tio ficou parecendo o Roberto Carlos de tanto cabelo que apareceu…

Fiquei embasbacado com aquilo, tentando descobrir qual a màgica da coisa. De repente um dos artistas pede a uma ragazza que fizesse o giro dei carameli, dai eu pensei: Eita, la vem bala perdida! Sorridente, ela pega um balaio repleto de balas e começa a oferecer aos mortais que ali estavam! Eu respeitosamente refutei, porque queria continuar observando todos os detalhes, nao sei se meus neuronios me permitiriam mastigar a bala, respirar, fazer o coraçao bater, piscar os olhos e ainda por cima continuar concentrado nos detalhes: era muita coisa pra pouco neuronio!

Logo depois do balaio, o senhor terminou com o Roberto Carlos e ja pediu pra menina começar meu tratamento! Obviamente jà pensei besteiras, quando ela me chamou e pediu pra sentar no ‘lavador de cabeça’ (sei la o nome daquilo…) Lambuzou a mao com algo que nao consegui ver e começou a fazer massagem no meu cocoruto! Gente, fui a loucuuuuura com aquilo! Ficou uns 5 minutos e logo em seguida um dos cabelereiros, totalmente careca tomou o lugar da menina e ainda brincou: – Nao sei se voce reparou mas nao està tao delicado como antes. Respondi: – Opa, claro que percebi!!!

Dai começamos a conversar, ele terminou a massagem, pediu que eu sentasse na cadeira e perguntou-me como eu queria meu corte. Eu disse que nao queria nada especial, curto embaixo e um pouco maior em cima. Ele entao pegou um catàlogo e começou a folhea-lo, até que eu vi um cara com um cabelo bacana e disse que queria ficar exatamente igual a ele.

O careca deu uma risada tipo “quem sabe depois de uma plàstica e 20 quilos a menos…” e começou a picotar o cabelo. E nao é que tive o mesmo tratamento do Roberto? Vai daqui, picota dali, raspa acolà, até que ele pàra e diz que era hora do segundo round de massagem!!! Lambuzou a mao num gel e começou a massagear minhas temporas! Gente, sei que parece viadagem mas nao tenho como explicar que maravilha! Naquele momento nao sabia mais se tinha ido num cabelereiro, numa casa de massagem, num spa, sei là, mas era tudo muito diferente do que eu imaginaria encontrar num salao de cabelereiro…

Depois de massagear, perguntou se tinha sido bom pra mim, eu pedi um cigarro e todos no salao riram!!! Dai eu percebi que todos ali trabalhavam em familia: ele era o filho, tinha o pai ao lado direito e a mae do lado esquerdo. A menina que distribuia malas era a noiva dele, e ambos vao se casar ainda este mes. Descobri ainda que o pai jà recebeu diversos premios e que era super conhecido, depois que andou cortando alguns cabelos famosos. Neste momento nao sabia se ria ou chorava, pois em nenhum momento tinha perguntado o preço do corte!!!

Bom, mas o que é uma listra pra uma zebra, uma pinta pra uma onça ou quem sabe até mesmo um piolho pra Elza Soares? E jà que eu estava ali resolvi desencanar…

No final, ele deixou um cotozinho em cima, disse que era a ultima moda aqui na Italia, que eu poderia utilizar um pouco de gel que ficaria otimo. Vejam o resultado:

Em seguida perguntou o que eu achei. Diante da cara de satisfaçao dele, disse que tinha a-do-ra-do, que realmente tinha ficado perfeito! Mas que eu nao ia pagar, pois eu tinha dito que queria ficar igual ao cara do catàlogo, provocando mais risadas do povo!!!
Nem perguntei o valor, ja fui sacando a carteira, esperando a facada e pensando se ia pagar com cheque, cartao, ou com o corpo mesmo, dependendo do valor. Mas nao foi nada absurdo: 17 euros pelo espetàculo!!!
Agradeci a todos, desejei muita sorte no casamento e sai na rua com o rabicò pra cima. E o mais impressionante que no sàbado a noite a cidade estava lotada, passei entre as pessoas e nao teve ninguem que riu, acreditem ou nao rsrs
Agora to na duvida: tiro ou nao o rabicò???

Ps. Assim como o professor Pasquale Cipro Neto, nao vou adotar as novas regras ortogràficas, continuarei utilizando hifem – por exemplo, jà que a maioria dos acentos ja nao utilizo devido ao teclado!!!