Brasileiros na Italia – Juliana, Nara e Ana Gabriela (Pisa)

Ciao a tutti

Hoje apresento a voces a mais nova sessao do nosso blog: Brasileiros na Italia

Hà algumas semanas atràs, estàvamos eu e a Luciana conversando sobre os nossos clientes – principalmente aqueles que vem à Italia com o objetivo de ficar por aqui apòs o processo.

E chegamos à conclusao que muitos brasileiros que chegam aqui tem uma visao completamente diferente do que realmente è – e nao digo que è melhor ou pior, apenas diferente!

Por exemplo, muitas pessoas acham que aqui na Itàlia vivemos igual acontece em novelas como  Terra Nostra ou Esperança rsrsrs

Dai chega aqui na Itàlia e descobre algumas coisas:

  • Ninguém se veste igual ao Gianecchini;
  • Nao existem grupos que dançam diariamente no meio das praças publicas (sò em festas medievais ou aniversàrio das cidades);
  • Pelo menos atè onde eu conheço nao existem mulheres tirando a roupa em grutas ou cavernas rsrsrs

E percebem que aqui na Itàlia as coisas sao normais: existem carros nas ruas, arranha-céus, prédios de vidro, como em qualquer outro pais do mundo, nao sò pés de azeitona e uva.

Bom, pensando nisso eu resolvi chamar alguns amigos brasileiros que vivem aqui na Itàlia para compartilhar conosco as pròprias experiencias de vida.

E para começar essa longa série que se inicia, neste final de semana eu fui là pra Pisa e entrevistei tres brasileiras que acabaram de chegar aqui e que fazem parte do projeto brasileiro Ciencia Sem Fronteiras.

Brasileiros na Italia

 

Juliana (Rio de Janeiro), Nara (Salvador) e Ana Gabriela (Pernambuco) fazem parte do grupo do CSF – Ciencia sem Fronteiras, que tiveram o privilegio (e a competencia) para serem aceitas no projeto e que vao passar um ano complementando os estudos brasileiros aqui na Universidade de Pisa.

Foi um encontro muito bacana, passamos horas trocando figurinhas e jà deu pra sentir que teremos muuuuitas boas històrias dos brasileiros aqui na Itàlia.

Segue abaixo alguns trechos da nossa conversa:

– Por que a Italia? E por que Pisa?

Juliana: –  Pela facilidade da lingua, embora eu fale um pouco de ingles, eu achava que escolhendo a Italia eu teria facilidade com a lingua.

– E quando chegaram aqui, realmente acharam fàcil a lingua italiana?

Nara: – Mà rapaz, nem um pouco! Eu entendo tudo o que dizem, porém nao consigo falar e conversar.

Ana Gabriela: Como eu jà comecei a estudar (as outras ainda nao) e o que tà pegando è que o professor fala muito ràpido e tem coisas que nao dà pra acompanhar. E pior ainda quando a aula è em ingles, pois a teminologia è toda em ingles e depois ele nos pergunta em italiano! (ela està fazendo medicina veterinària)

– Quais as coisas positivas aqui na Itàlia que voces podem citar?

Juliana: – O lugar è lindo! Eu acho o màximo que os carros param pra voce passar!!!

Ana Gabriela: – A arquitetura, a limpeza e a quantidade de bicicletas, coisa que ajuda o transito.

Juliana: – Outra coisa muito bacana que eu percebi aqui è a coleta seletiva, nòs mesmos jà começamos também a separar em casa os materiais. 

Nara: – A percepçao de cidadania aqui è muito interessante: basta pensar no onibus: ninguém te obriga a pagar, porém todos que entram no onibus pagam!!! O mesmo na universidade: ninguém te obriga a frequentar, mas te obriga a estudar, isso achei òtimo.

– E as negativas?

Todas: – Nao aguentamos mais comer massa!!!

Juliana: – No inicio era divertido, voce comer lasagna, pasta, depois ficou chaaato comer ‘comida de domingo todos os dias’.

Ana Gabriela: –  Algumas coisas me decepcionaram, pois eu imaginava que as pessoas seriam mais abertas, mais felizes, mais acolhedoras.

Nara: – Uma coisa muito desagradàvel foi a falta de educaçao do povo, principalmente taxistas. Além disso passamos uma situaçao horrivel: estàvamos num restaurante e uma mulher foi extramamente mal educada, chegou a pedir ao garçom para que tomasse algum tipo de atitude e nos tirassemos do restaurante. Claro que isso nao aconteceu, mas ficamos com um sentimento muito ruim, de preconceito mesmo.

– O que faz falta?

Todas: – Carneeeeeeeee

Juliana: – Feijao preto, batata frita, picanha, contra-filé, churrasco…

Ana Gabriela: – Suco natural.

Nara: – Agua de coco.

Neste momento Nara e Ana Gabriela nos contou sobre os micos por causa da lingua italiana, mais ou menos a mesma coisa que eu sofri là em 2007, cliquem aqui pra lembrar 🙂

Nara: – A gente falando muito ‘fica’, ‘fica’, ‘fica’. Temos uma professora muito timida, chamada Micaela, e num determinado momento um dos nossos amigos, perguntando sobre a universidade disse: – porque FICA! Essa professora ficou completamente vermelha, colocou a mao na boca e toda roxa de vergonha explicou que essa palavra na lingua italiana significa òrgao sexual feminino!!!

Ana Gabriela: – Sem contar que logo que chegamos e nos perdiamos, ao invés de perguntar Dov’è? a gente dizia: Dove FICA? kkkkkkkkkkkkkkkkk

(( de repente a coisa mudou e elas começaram a me entrevistar ))

Depois ainda consegui fazer outra pergunta:

– Falem sobre o curso e as obrigaçoes do projeto?

Nara: – Temos que apresentar relatòrios, apresentar as notas e temos um rendimento minimo a ser alcançado. 

Juliana: – Temos muita burocracia, ninguém veio aqui a passeio e tampouco para gastar dinheiro do governo sem contra-partida, todos temos que fazer nossa parte.

No final do nosso papo, fizemos a clàssica foto pro blog e jà combinamos de nos encontrarmos daqui a algum tempo, pois estamos curiosissimos para saber as experiencias que elas terao dentro da universidade, a comparaçao entre os estudos e tudo mais sobre a pràtica dentro da universidade 😉

Brasileiros na Italia
Lu, Juliana, Nara, Ana Gabriela e eu
 
 

Eu adorei ouvir as històrias de quem – assim como eu – veio à Itàlia acreditando num sonho, e me sinto extremamente feliz de ter a oportunidade de escutar e aprender com estas outras pessoas!

Aproveito pra agradecer as meninas pelo papo e pelas risadas, e fiquem ligados que em breve voces vao conhecer muitas outras històrias de brasileiros que vivem aqui na Itàlia 😉