1, 2, 3, 4, 5, 6 anos da minha chegada aqui na Italia

Tudo começou com uma simples ideia: vir a Italia para reconhecimento da minha cidadania e com isso proporcionar um futuro melhor para as minhas filhas.

Muitos podem não saber, mas 2007 foi o ano do BOOM dos processos de cidadania italiana – muitas pessoas começaram a entender melhor o que era, como fazia e quais as possibilidades que isso trazia aos descendentes.

O problema (que existe até hoje, embora em menor proporção) era a falta de informações corretas e completas sobre o assunto, pois não existia nenhum blog ou site que falasse sobre isso, tínhamos apenas as redes sociais e em especial o Orkut.

Sinceramente não me atreverei a dizer que o blog Minha Saga foi o primeiro a ser criado para falar de cidadania, pois mesmo não tendo encontrado nenhum outro na época, confesso que jamais pesquisei.

Até porque a própria criação do blog foi algo sem nenhum tipo de planejamento, pois eu considerava essa coisa de blog algo completamente inútil – que só as adolescentes utilizavam como diário virtual.

Pode parecer absurdo pra quem não acompanha a blogosfera há muito tempo, mas a verdade é que naqueles anos, um blog era sinônimo de diário virtual de adolescente rsrsrs !!!

Por causa dos problemas da falta de informação, ou ainda pior: o excesso de informação errada ou desencontrada é que acabei criando a Minha Saga, no final de 2006 – pois não aguentava mais ver discussões inúteis ou brigas desnecessárias no Orkut.

Pois no final era isso que acontecia: quando alguém entrava e postava uma informação qualquer, perguntando por exemplo sobre “a comune”, ao invés das pessoas simplesmente responderem aquilo que havia sido perguntado, começavam a querer dar aula de português e italiano, explicando a origem da palavra comune e depois de longas páginas de dissertação.

O coitado aprendia que comune é palavra masculina, mas saia dali com muito mais dúvidas do que tinha entrado…

E há poucos meses antes da minha vinda a Italia, mais precisamente em dezembro de 2006 nascia a Minha Saga – que seria o meu diário online de tudo que aconteceria aqui na Italia, podendo assim manter uma espécie de canal aberto com as minhas filhas e também registrar todas as minhas peripécias para poder dar risada depois.

O VERDADEIRO ANIVERSÁRIO DA MINHA CHEGADA

Quando comemoro o aniversário da minha chegada aqui na Italia, não levo em consideração aquela primeira viagem que aconteceu em fevereiro de 2007, que foi super rápida e cheia de micos, também marcada pela confusão da mudança das leis e que fez com que eu retornasse ao Brasil poucos dias depois.

Eu considero como o verdadeiro aniversário a segunda e definitiva viagem que fiz, saindo do Brasil no dia dos namorados em 2007 e chegando aqui no dia 13 de junho daquele mesmo ano.

E que hoje orgulhosamente comemoro SEIS anos desde o dia que coloquei os pés no aeroporto de Malpensa, em Milano e desde então só retornei ao Brasil para passear.

minha chegada aqui na Italia

RESPOSTA AO QUESTIONÁRIO – BRASILEIROS NA ITALIA

Como muita gente me pergunta sobre a minha vida aqui, se valeu a pena, se foi difícil e quais são as minhas considerações, achei interessante responder as mesmas perguntas que eu faço para os outros amigos sobre a vida aqui, utilizando para isso o mesmo questionário, assim fica até mais fácil para dar ritmo, vamos lá:

1. Identifique-se: qual seu nome, idade, sexo e região onde vive aqui na Italia

Fábio Barbiero, tenho 36 anos (quase 37) e vivo na Toscana, região central da Italia (e pra mim a mais linda!).

2. Quanto tempo você vive na Italia?

Hoje completo 6 anos!

3. Qual seu tipo de status na Italia?

Cidadão italiano reconhecidíssimo!

4. Por que você escolheu a Italia como destino?

Muita gente acredita que por causa da minha paixão pela Italia, quando eu pensei em sair do Brasil ela foi a minha primeira escolha – porém não é verdade!

Minha idéia era ir para os States, onde meu pai vive há mais de 20 anos. Me lembro que quando entrei em contato com ele sobre esta fantástica idéia (pelo menos eu achava), ele simplesmente pegou todos os baldes de água fria que existem no mundo e jogou na minha cabeça.

Me explicou que era impossível que eu fosse aos EUA e permanecesse regular, e me sugeriu então que eu “fosse lá pra Italia, já que eu tinha direito ao tal negócio da cidadania“. Porém uma coisa era sair do Brasil e ir a um pais onde alguém da sua família te receberia; outra coisa era ir a um pais sem conhecer absolutamente ninguém!

Diante disso, eu comecei a pesquisar sobre o reconhecimento da cidadania, logo percebi que seria uma saga (e com isso nasceu o nome do blog rs) e poucos meses mais tarde eu desembarcava no aeroporto de Milano Malpensa.

5. Você trabalha? (mesmo que informalmente)?

Sim, atualmente tenho uma empresa legalmente constituída aqui na Italia que presta consultoria na obtenção do reconhecimento a cidadania italiana e também efetua busca de documentos.

6. Hoje, analisando sua vida aqui na Italia, considera que vir pra cá foi uma escolha positiva ou negativa?

Completamente positiva, a ponto de sequer passar pela minha cabeça voltar a morar no Brasil.

Infelizmente todas as vezes que eu vou passar no Brasil, eu reencontro meus amigos, minha família e tenho a estranha impressão que eu fiquei fora por apenas poucos dias! Já perguntei a diversos amigos que também vivem aqui na Europa e eles também tiveram essa mesma experiência.

Me lembro que a primeira vez que retornei ao Brasil foi quando tinha completado exatamente um ano aqui na Italia e a coisa curiosa é que durante aquele ano tinha acontecido tanta coisa na minha vida, tanto sofrimento, tantas batalhas mas também tantas conquistas, tantas vitórias e quando eu cheguei no Brasil eu percebi que as pessoas estavam fazendo as mesmas coisas que faziam quando eu saí de lá.

E pior: elas continuavam reclamando das mesmas coisas também!

Me lembro que me tornei o “chato” do grupo, pois quando alguém reclamava ou se lamentava eu dizia:

– Porca porpeta, por que você não muda de emprego? (ou de marido, esposa, ou o que quer que estivessem reclamando) e as respostas eram sempre as mesmas:

– Ahhhh, mas é tão difícil mudar, você é que é corajoso por ter saído daqui…

E metiam o pau no Brasil, no governo (ou no marido, esposa, emprego, chefe, etc)…

7. O que a Italia tem de melhor?

Existem milhares de coisas que eu amo aqui na Italia, porém talvez a maior delas é a segurança – aqui eu deixo meu carro aberto na rua sem nenhum medo que alguém possa roubá-lo.

Não tenho medo de sair a noite para tomar um sorvete ou caminhar, nem passar por locais escuros e pensar que pode ter alguém escondido atrás de um poste esperando com uma arma na mão.

Aqui vivemos como todos os cidadãos do mundo deveriam viver, sem aquele medo constante que temos no Brasil de alguém roubar nosso carro no trânsito, ou nossa casa, nosso dinheiro, nossa vida, nossa dignidade…

Outro fator fundamental que existe por aqui é o respeito com o próximo e também o respeito as regras: aqui cada um faz o que quiser da própria vida, diferentemente do Brasil onde o conceito “somos o que vestimos” ou “somos o carro que dirigimos“, isso aqui na Europa de forma geral é completamente inexistente.

Você é respeitado pela forma como se comporta, não pela quantidade de dinheiro que tem – até porque aqui na Italia geralmente aqueles que tem mais dinheiro, são aqueles que você menos espera, pois se comportam de maneira bastante simples e tranquila.

E o melhor: aqui não existe o famigerado jeitinho brasileiro, ou a lei de Gérson ou qualquer outro tipo de situação onde alguém vai te passar pra trás e você não vai poder fazer nada! Aqui o povo grita, xinga, discute e corre atrás dos próprios direitos.

8. E o que a Italia tem que você não suporta?

O preconceito no norte da Italia é algo que me incomoda.

Eu sou de origem padovana (meu trisnonno nasceu numa pequena cidade chamada Lozzo Atestino, que fica na provincia de Padova, no Veneto) e consigo perceber a diferença de tratamento com os estrangeiros naquela região.

Particularmente eu jamais tive algum tipo de problema com preconceito ou racismo – até porque sempre procurei misturar-me com o povo e a cultura italiana, porém é bastante perceptível o pensamento fechado, muitas vezes abusivo, no Veneto, no Trentino, no Friuli, mas sobretudo na Lombardia.

Além disso eu não consigo entender como um país de pessoas tão esclarecidas demoram tanto para resolver algumas coisas que deveriam ter mudado há décadas, como por exemplo os seus representantes políticos.

A mentalidade do povo italiano (principalmente aquele mais idoso) é extremamente conservadora, felizmente nos últimos anos isso tem mudado.

9. Algum projeto para os próximos 12 meses aqui na Italia?

Trazer minha mãe e minhas filhas para passarem algum tempo aqui na Italia comigo é um dos projetos a curto prazo!

Outra ideia – embora muito embrionária ainda – no futuro é abrir algo que tenha a ver com locação de imóveis para temporada e férias, por exemplo para casais apaixonados que queiram curtir a lua-de-mel sob o sol da Toscana rsrsrs

Porém isso é um projeto para daqui a dois ou três anos ainda (((peloamordeDeus não fazemos isso atualmente, nem temos tempo pra isso, é um projeto futuro, portanto nem pensem em começar a mandar emails sobre este assunto kkkkk))) 😉

Existem outros profissionais – estes também a curto prazo, porém ainda é surpresa – no momento certo vocês vão saber tudinho!

O que eu posso contar é que estamos estudando a possibilidade de

10. Escreva sobre aquilo que quiser, deixando uma mensagem aos leitores da Minha Saga

Sempre acreditei na frase “quando queremos muito algo, o Universo conspira a nosso favor” pois quando pensamos de forma positiva, atraímos sempre coisas e pessoas também positivas.

O desenrolar da minha vida aqui na Italia é um reflexo disso – obviamente houveram grandes dificuldades, principalmente no início, porém quando temos fé e perseverança podermos alcançar absolutamente tudo que desejamos – basta acreditar!

CONCLUSÃO

Não poderia terminar este artigo sem agradecer cada um de vocês que sempre estiveram aqui comigo – nos momentos mais difíceis que eu passei aqui na Italia, vir aqui e compartilhar com vocês muitas vezes fez com que eu não me sentisse sozinho, pelo contrário, sabia que tinha o apoio e a torcida de milhares de pessoas e isso foi determinante para ultrapassar as barreiras e os obstáculos e vencer!

Por isso queridos leitores, obrigado, obrigado, muito obrigado!