Você é o que você escreve!

Ciao a tutti

Tenho recebido alguns emails completamente fora da realidade, de pessoas que acreditam que vir a Italia realizar o processo de reconhecimento é uma espécie de aventura, onde tudo é possível, incluindo o famigerado jeitinho brasileiro.

Recentemente um rapaz me mandou um documento incorreto para análise e quando percebi que tinha algo errado, quis me ajudar a entender, me contando um segredinho – que na verdade se tratava do seguinte: ele tinha retificado seu nome e por motivos, até válidos devo ser sincero, percebeu que tinha sido um grande erro e gostaria de efetuar o processo de reconhecimento com o nome anterior, antes da lambança.

O que ele não sabia é que independente de ter mudado seu nome ao longo da vida, a cidadania seria reconhecida exatamente com o nome que recebeu ao nascer, pois a nossa cidadania nos foi dada ao nascermos e portanto qualquer variação em nosso nome depois disso é irrelevante (a não ser em caso de retificação por causa do sobrenome incorreto)

Só que o problema não foi a retificação, ou o envio do documento simples (pois se tivesse enviado em inteiro teor eu teria visto).

Outra leitora me escreve perguntando sobre a viabilidade do processo e durante sua exposição dos fatos, escreve “não sei se isso é correto ou não, se não for pra mim não tem problema…

Em ambos os casos, o problema não é a forma, mas sim o conteúdo!

No primeiro caso o problema foi mentir pra mim! Ou omitir, que no caso é a mesma coisa! No segundo é achar que fazer algo incorreto seja válido, desde que eu não me prejudique ou que ninguém descubra!

Vejam que é muito fácil dizer que existem profissionais picaretas (e existem mesmo, aos bandos!), só que percebo que no Brasil ainda existe, além do famigerado jeitinho, a ideia de que quando estamos pagando um profissional, ele deverá cumprir o que nós queremos, e não o que ele julga ser correto – famoso tô pagando…

Sim, da mesma forma que um cliente tem o livre arbítrio para escolher um profissional, nós também temos o direito de escolher quais clientes queremos, para colaborar com o seu projeto de reconhecimento. Obviamente que ao escrever a um cliente que ele não tem o perfil para ser cliente da Minha Saga, ele se revolta, escreve cobras e lagartos, ofende e mais uma série de coisas, começando a pedir desculpas e que “não tinha intenção de dizer o que tinha dito”. Mas disse! E com isso expôs uma parte da sua personalidade, do seu caráter…

Pra mim, você é o que você escreve!

Eu não conheço quem vem realizar o processo conosco! Vocês tem como me conhecer, seja através dos vídeos, seja através de referências de outros clientes, indicações e mais um bocado de coisas. Eu não. Não tenho como saber como um cliente é ou se comportará até que ele esteja aqui. Eu o conheço através daquilo que ele me escreve por email. E se durante a negociação, um leitor fala algo que sugira qualquer coisa ilícita, a luz vermelha acende!

E é exatamente por isso que me sinto no direito a exigir compromisso, comprometimento e principalmente honestidade.

Quer dar jeitinho? Quer vir com a família inteira, incluindo marido / esposa / filho menor, como se estivesse a turismo? Quer que façamos intermediação imobiliária? Quer que eu suborne o vigile para passar mais rápido (somente nessa semana recebi 3 emails de famigerados com esse teor…)? Quer tentar passar os documentos incorretos, pois não tem “tempo” para arrumá-los?

Em qualquer um destes casos vá procurar outra empresa! Tem uma série de jovens que estão entrando no mercado de consultoria na Italia – muitos deles que até pouco tempo atrás me escreviam pedindo ajuda com os seus próprios processos e que agora se tornaram profissionais de cidadania. Talvez eles queiram assumir estes casos acima, ou acham que isso não é relevante.

Nós não queremos, obrigado!

Quando eu consegui minha cidadania – depois de ter sido enganado por uma a$$e$$ora de orkut e comido o pão que o diabo amassou, uma das minhas amigas aqui me fez prometer que ao começar o meu trabalho de consultoria, eu jamais, JAMAIS faria um cliente meu passar o que nós passamos com os nossos processos. Jamais faria uma pessoa atravessar o oceano para vir pra cá sofrer.

JAMAIS fazer com qualquer pessoa o que não gostaríamos que fizessem conosco.

Felizmente consegui chegar onde cheguei. Quem diria que eu teria colaborado com mais de 250 processos, já chegando aos 300 em apenas 7 anos de trabalho? Quem diria que eu teria feito amigos tão especiais e conhecido pessoas tão fantásticas como as que eu conheci durante este percurso?

E é por isso que hoje, nós temos o privilégio de poder descartar clientes que não pensem como nós. Pessoas que escrevem absurdos por email, com pensamentos completamente opostos dos quais acreditamos: seriedade, transparência e principalmente honestidade.

Eu não acho que sou melhor do que ninguém, pelo contrário – tenho inúmeros defeitos que às vezes quem convive comigo sabe o quanto posso ser insuportável e difícil de lidar. Mas não abro mão da honestidade.

Como diria meu querido amigo Waldir Strazza, às vezes sou muito italiano, com poucas e duras palavras – ou como diria um brasileiro, um italiano grosso.

Sei que peco pelo excesso, que detesto, com todas as minhas forças que alguém subjugue outra pessoa para conseguir algo, que é a síntese da porcaria do jeitinho brasileiro. E tenho plena consciência de que por isso, acabo sendo transparente até demais, para algumas pessoas, não acostumadas a isso.

A maioria do povo brasileiro não está acostumada com excesso de honestidade. Preferem ouvir “vou dar um jeito de te ajudar” ao invés do “não tenho como te ajudar, procure outra solução” mesmo sabendo que o afago do primeiro caso o prejudicará e que a eventual grosseria do segundo na verdade é efetivamente a ajuda que precisava para poder tomar uma solução e resolver o problema.

E por isso que resolvi escrever este artigo, para compartilhar com todos aqueles que queiram, de uma forma ou de outra, passar em cima de alguém para conseguir o que quer que seja, que procure outra solução para seus problemas, e sequer perca seu tempo me escrevendo – pois meu tempo e minha dedicação será dada a quem merece de verdade, que é correto e principalmente a quem acredita que honestidade nunca é demais…

Abbracci a tutti