A língua italiana

Ciao a tutti

Todas às vezes que eu me sento para escrever no blog, penso sempre em escrever algo que seja útil para aqueles que o leem.

No início, a grande maioria dos leitores vinhas das redes sociais, em especial do Orkut, onde eu frequentava diversas comunidades.

Por lá eu contava a minha história de luta contra os consulados italianos, assim como as ideias que eu tinha em relação à busca do meu reconhecimento.

Como a ideia que tive em ir até Buenos Aires, no consulado italiano tentar dar entrada no meu reconhecimento por lá.

Porém, com o passar do tempo, percebi que o perfil dos leitores mudou bastante.

Atualmente cerca de 70% dos novos leitores caem no blog através de pesquisas no Google.

E quase um terço destes paraquedistas vem procurando informações sobre a língua italiana, principalmente por cursos.

Já há algum tempo venho pensando em escrever a vocês sobre a língua de Dante, e recentemente essa vontade cresceu ainda mais, pois comecei a frequentar um curso de gramática italiana.

Tenho aprendido tantas coisas bacanas, que não consigo deixar de pensar em compartilhar isso com vocês!

Como acredito ser um assunto que interessa a todos que pensam em vir à Italia, seja a turismo, seja para o reconhecimento, neste artigo compartilharei com vocês algumas dicas, começando pela história desta que é considerada uma das línguas mais belas de todas.

A ORIGEM DA LÍNGUA ITALIANA QUE CONHECEMOS ATUALMENTE

Atualmente a lÍngua italiana é falada por aproximadamente 70 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Além da Italia, países como Eslovênia, Croácia, Eritrea, Líbia, Suíça e San Marino tem o italiano como língua oficial.

Outros 120 milhões de pessoas em países como Argentina, Australia, Bélgica e Chile utilizam o italiano como segunda lingua.

A língua italiana tal qual conhecemos hoje nasceu em torno de 1300 com um sujeito nascido em Firenze, chamado Dante Alighieri.

Dante Alighieri – pintura de Sandro Boticcelli

Dante, considerado o maior escritor italiano de todos os tempos, resolveu utilizar a lingua vulgar fiorentina, uma derivação do latim vulgar em seus trabalhos.

Em decorrência disso, em 1861, quando nasceu oficialmente o Reino da Italia com a ajuda de Giuseppe Garibaldi, a língua fiorentina difundida por Dante Alighieri tornou-se a lingua oficial do novo Estado, transformando-se entao na língua italiana que conhecemos atualmente.

Giuseppe Garibaldi – um dos “pais” da Itàlia unificada

NO BRASIL

Embora não existam dados oficiais, estudos demonstram que mais de um milhão e meio de pessoas falam italiano como segunda língua no Brasil, principalmente dentro de casa, com a família.

Mas não o italiano considerado gramaticalmente correto. A grande maioria das famílias conservam o dialeto levado pelos seus antepassados.

Eu mesmo brigava com meu nonno, pois ele teimava em dizer que o italiano falado por ele era o correto, mesmo eu explicando que o que ele aprendeu é o dialeto vêneto.

Que feijão nao é “fasoi” e sim fagioli, que comer nao é “manià” e sim mangiare, que eu nao é “mi” e sim io, e principalmente que não é bonito chamar alguém de farabutto 🙂

A influência da língua italiana no Brasil é tão forte, que bastou uma rápida pesquisa na internet para encontrar diversas imagens que representam esta influência, vejamos alguns exemplos:



O ESTUDO DA LINGUA – DICAS ÚTEIS

a língua italiana

Quando começamos a estudar a língua italiana, é muito comum colocarmos “are” no final das palavras e com isso acharmos que estamos arrasando na língua.

Eu vejo isso quando os nossos clientes chegam por aqui e saem pelas ruas soltando pérolas como “falare”, “bebere”, “comere”. Este erro é muito comum pois realmente a lingua é cheia de ares no final das palavras.

Porém o exemplo correto das palavras acima é “parlare”, “bere” e “mangiare”.

Viram que todas terminam com are mas não necessariamente como falamos em português 🙂

Muitos me perguntam como eu aprendi a falar italiano. Eu respondo que sou uma pessoa de muita sorte, pois meu contato com a língua existe desde que eu me conheço por gente.

Na casa dos meus avós nunca faltaram dois tipos de música: italiana e “de raiz”.

Era muito comum encontrar discos do Tonico e Tinoco misturados com Pepino di Capri, Domenico Modugno, Luigi Tenco, Sergio Endrigo, Gigliola Cinquetti, Rita Pavone, Gianni Morandi, etc.

Quando comecei a pensar em escrever este post, fiz uma viagem no tempo e lembrei-me que meus avós tinham aquelas coleções tipo Italia Mia, As mais lindas cançoes italianas, Bella Italia ,entre outros.

Eram coleções com músicas de diversos cantores e me lembro que ainda sem entender o significado, adorava a sonoridade das palavras.

Claro que somente isso não foi o suficiente pra chegar aqui e tagarelar com o povo.

ABUSE DE MATERIAIS DE ESTUDO DIFERENTES

Pouco antes de sair do Brasil, comecei a pesquisar sobre materiais de estudo e descobri que é bastante complicado e nem sempre acessível encontrar material de estudo italiano, na língua portuguesa.

A primeira coisa que fiz foi baixar um curso em áudio para ouvir diariamente a língua.

Lembro-me que comprei um livro no Mercado Livre chamado “Aprenda a falar ITALIANO do escritor Ciro Mioranza.

É um pequeno livro de bolso que contém algumas regras de pronuncia e gramática.

Confesso que ele foi um divisor de águas pra mim, pois veio comigo à Italia e eu o conservo aqui comigo até hoje com bastante carinho na minha pequena biblioteca de livros importantes.

Tudo isso me deu uma boa base e me deixou bastante seguro. Me lembro que quando cheguei, não tinha grandes dificuldades para entender o povo, o problema era falar, pois meu vocabulário ainda era pequeno e, portanto, me faltavam palavras.

Quem acompanha minhas trapalhadas desde o inicio se lembra a falta que o idioma fez numa fria madrugada em Padova, quando um trentino resolveu querer brincar comigo.

Outra coisa importante é que embora a lingua italiana seja a mesma, o “sotaque” muda completamente de norte a sul do pais.

Aqui chamado de accento, cada região tem a sua.

Veja que isso nao tem a ver com dialeto, quando digo accento, quero dizer, por exemplo que um italiano de Torino (norte) pronuncia a palavra casa diferente de um italiano de Firenze (centro) que também pronuncia esta palavra diferente de um italiano de Palermo (sul)

Exemplo:

Em Torino se fala Càsa
Em Firenze se pronuncia Rasa (na Toscana troca-se o “c” por “r” frequentemente)
Em Palermo fala-se Câsa

Já o dialeto é algo completamente diferente, pois as palavras assumem outros significados.

Se um italiano da Sardegna fala em dialeto sardo ao lado de um italiano da Lombardia, este último simplesmente não entenderá o que o primeiro fala.

A CASA DE DANTE ALIGHIERI

Quem passar pela cidade de Firenze, não pode deixar de visitar a Casa di Dante, local onde estima-se que o autor viveu e transformado em museu.

Lá podem ser encontrados os versos da famosíssima Divina Commedia, considerada a maior obra literária de todos os tempos.

Abaixo algumas fotos que fiz quando estive lá:

CONCLUSÃO

Aprender a língua italiana não é difícil, como qualquer outra basta dedicação e comprometimento.

Siga sempre a sessão Aprendendo Italiano, que de tempos em tempos eu acrescentarei novos artigos relacionados ao tema.

Já recebi centenas de pedidos para a criação de um canal de vídeos para que eu compartilhe o que eu aprendi ao longo destes anos, porém não sei até que ponto o pessoal realmente seguiria este tipo de lição.

Caso você tenha interesse neste tipo de conteúdo, deixe o seu comentário aqui em baixo, que me ajudará a pensar a respeito 😉