Apresentando os jornais italianos

Em 2006 quando ainda estava no Brasil e me preparava para vir à Italia, uma das maiores preocupações que eu tinha, era com a língua italiana.

Isso me preocupava pois a única certeza que eu tinha naquele momento era que eu realizaria o meu processo sozinho, sem ajuda profissional de ninguém.

Por este motivo, o meu conhecimento na língua italiana tinha que estar melhor do que a linguagem macarrônica das novelas Passione e Terra Nostra.

Me lembro de estar perambulando pela Avenida Paulista quando me deparei com um jornal pendurado numa banca de revistas, próximo ao prédio do consulado italiano.

Cheguei mais perto e me vi que se tratava do jornal italiano Corriere della Sera.

jornais italianos

Lembro que fiquei surpreso por dois motivos:

  1. Descobrir que um jornal italiano era vendido no Brasil, na sua língua original;
  2. O valor absurdamente caro de 7 reais, o que me impediria em compra-lo todos os dias.

Sai da banca 7 reais mais pobre, mas com o jornal embaixo do braço, louco para saber o que acontecia deste lado de cá do oceano.

O problema é que eu ainda não falava italiano e por isso não entendi praticamente nada do que estava escrito!

Me lembro em abrir o jornal e me sentir, literalmente assim:

desesperado

Naquela época eu era assinante do jornal Folha de São Paulo, e achei curiosa a diferença entre os dois, principalmente em relação ao formato.

O Corriere (vendido no Brasil) era menor em comparação com a Folha, e me lembro de ter achado isso ótimo, pois facilitava a leitura em qualquer lugar, como no metrô, por exemplo.

Bom, depois de tantos anos e vivendo na nossa bella Italia, resolvi compartilhar com vocês algumas curiosidades relacionadas aos jornais e como eles afetam a cultura italiana.

UN CAPPUCCINO, UN CORNETTO E IL GIORNALE, PER FAVORE

Se você quer vivenciar uma experiência extremamente italiana, deve absolutamente entrar em bar qualquer pela manhã e pedir “un cappuccino e un cornetto” (no norte da Italia ao invés de cornetto, peça un brioche).

Quando eu falo “pela manhã” quer dizer entre às 7 e às 9, se chegar depois deste horário a experiência não será completa, já que dificilmente um italiano come algo próximo ao almoço.

Provavelmente neste momento você está pensando o que cargas d’água isso tem a ver com o assunto deste artigo.

A resposta é esta:

Café da Manhã na Italia

Ao entrar em uma cafeteria qualquer aqui na Italia, lá estarão eles: espalhados pelas mesas, esperando para serem folheados pelos leitores ávidos para saber o resultado do jogo do dia anterior, as novidades políticas do dia, ou apenas pelo hábito de ter o jornal em uma mão, enquanto equilibra a xícara de café na outra.

OS MAIORES JORNAIS ITALIANOS

Atualmente, os maiores jornais italianos são o Corriere della Sera o Sole 24 Ore e o La Repubblica, com as seguintes tiragens mensais:

 

  • Corriere della Sera – com uma tiragem de 375.000 exemplares
  • Sole 24 Ore – com uma tiragem de 337.000 exemplares
  • La Repubblica – com uma tiragem de 290.000

Estes números foram retirados do site Human Highway.

Para efeitos de comparação, vejamos quais os maiores jornais que circulam no Brasil:

Folha de Sao Paulo – 360.000 exemplares
O Globo – 320.000 exemplares

Números retirados do site meioemensagem.com.br

Quando vi os números acima também não acreditei, pois a Italia conta atualmente com uma população de cerca de 60 milhões de pessoas, enquanto que o Brasil já ultrapassou a marca de 200 milhões.

ONDE COMPRAR O SEU EXEMPLAR

Existem diversos locais onde você pode levar o seu exemplar para casa, sendo os mais comuns, a Tabaccheria e a Edicola.

A Tabaccheria é um local normalmente pequeno, que foi criado pelo Estado Italiano para controlar a venda de cigarros.

Hoje em dia, muitos deles também vendem jornais e revistas, como este da imagem abaixo:

jornais italianos

Outro local para comprar seus jornais e revistas é na Edicola, este sim o equivalente às nossas bancas de jornal:

banca de jornal italiana

Abaixo deixo um trecho do artigo que encontrei no site RagusaNews.com sobre esta particularidade tipicamente italiana:

O nosso diàlogo no bar, pela manha, em frente ao café e ao jornal. Existe algo melhor do que isso?

Todas as manhãs nos encontramos no bar, durante o café da manhã, pedimos um café e lemos o jornal.

Um, dois, três, quatro jornais, dia após dia, todos os dias, depois do café, todas as manhãs.

Pode parecer um comportamente normal, um simples evento que se repete: amigos que se encontram no bar, pedem seus cafés e leem seus jornais.

Pode parecer, mas nao é.

A plenitude deste momento de bem-estar, e é exatamente de bem-estar que estou falando, daqui a pouco vocês descobrirão por que, não está no primeiro café matinal, tampouco na leitura atormentada das páginas dos nossos jornais.

Nós – a cada manhã – nos encontramos no bar e edificamos nossa consciência, depois do café, depois da leitura dos jornais, todas as manhãs, todos os dias.

É assim que “construímos”, bebendo o café, lendo os jornais e pensando naquilo que sabemos, naquilo que conhecemos, naquilo que nos foi ensinado…

Cada manhã é uma nova construção, uma nova fábrica, um novo edifício de consciência, e de razão.

Como? Depois do café, depois da leitura, apenas conversando…

Nesta tradução que fiz, é possível perceber que o autor utiliza o bar como pano de fundo para algumas reflexões do comportamento do povo italiano, tão simples e ao mesmo tempo tão complexo…

Para terminar este artigo, quero deixar a vocês o link do site Edicola 2000, onde é possível conhecer centenas de jornais italianos, para todos os públicos e todos os gostos.

Para acessa-lo basta clicar aqui.

E você, já conhece algum jornal italiano? Se sim, deixe o seu comentário abaixo e compartilhe conosco 😉